domingo, 4 de março de 2012

Da idade

Entro na van. Criança fofinha no colo da mãe sorri pra mim. Sorrio de volta, adoro crianças, principalmente crianças fofinhas. A menininha quer brincar com minha pulseira de pirata, a mãe sorri pra mim e incentiva a filha: brinca, Larinha, brinca com a pulseira da moça. É uma caveirinha, tá vendo? Brinco com a neném até chegar no meu ponto e eu desci, dando tchauzinho e recebendo o mesmo aceno das mãozinhas gordinhas e cheias de dobrinhas. Fico pensando numa coisa estranhamente banal e irrelevante, mas que ainda assim me intriga. Não faz muito tempo e ninguém se referia a mim como ''moça''. Lembro instantaneamente de uma situação igual: van, neném brincalhão mexendo na minha mochila. Só que a mãe desse neném disse: olha a outra neném, filho. Quando se deu essa transição? Quando deixei de ser ''neném'' pro mundo e, velha demais pra ser chamada de menina e nova demais pra ser chamada de ''senhora'', claro, passei a ser considerada ''moça''? Estranho pensar nessas coisas, porque é muito relativo, já que depende da visão da pessoa que está falando. Ninguém mais me chama de ''menina''. Não me considero mais menina. Mas não necessariamente isso me torna mulher. Na minha mente, eu sou. Perante a lei, estou quase lá. Pros meus amigos, já sou faz tempo. Pros meus pais, já passou da hora de agir como uma. Pra certas pessoas, ainda sou neném. 
Mas, na boa, o que importa é a minha opinião, certo? ERRADO. Vivemos em sociedade, e por mais que não seja o ideal seguir baseando-se na opinião de alheios, também não é pra radicalizar. Tenho meus momentos total criança imatura e meus momentos de seriedade e comprometimento. O perfeito equílibrio. E ainda assim, não agrado a gregos e troianos. 
Melhor voltar pra brincadeira inocente e tranquila com o neném, que não tá nem aí se eu sou mulher ou criança, ele só quer saber da minha pulseira.

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